Trabalhadores em Macau menos confiantes e satisfeitos
jun26
Um inquérito realizado pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau revela que a confiança e a satisfação da população empregada de Macau diminuíram este ano. O pessimismo dos trabalhadores está principalmente relacionado com a estabilidade e as condições de trabalho, bem como as oportunidades de novos empregos. Os resultados do inquérito mostram ainda que os trabalhadores locais utilizam cada vez mais a inteligência artificial, mas receiam que esta venha a substituir os seus postos de trabalho.
Os trabalhadores em Macau estão menos satisfeitos com as suas condições de emprego e, ao mesmo tempo, menos confiantes relativamente às perspectivas do mercado de emprego local.
É esta a conclusão de um inquérito que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) conduziu recentemente acerca da confiança e satisfação da população empregada, revelando as suas preocupações sobre o emprego.
Este inquérito foi realizado entre 24 de Março e 24 de Abril deste ano, através de um questionário que contou com a participação de 852 trabalhadores a tempo inteiro. “A economia de Macau mantém-se, em geral, estável, embora o ritmo de recuperação seja desigual”, destaca o inquérito.
Comparando com os resultados do ano passado, o índice geral de confiança dos trabalhadores de Macau neste ano desceu ligeiramente 0,66% em termos anuais, passando de 3,02 pontos para 3 pontos, numa escala de classificação de 1 a 5 pontos, sendo que quanto mais alta a pontuação, mais positiva é a avaliação.
A sondagem do ano passado, recorde-se, também verificou uma quebra de 0,66% na confiança dos trabalhadores, de 3,04 para 3,02 pontos.
Na análise, os três subíndices que compõem o índice de confiança global apresentaram variações díspares, com a confiança dos trabalhadores relativamente ao mercado de trabalho de Macau a cair 3,47%, enquanto a confiança face à sua própria empresa aumentou ligeiramente 0,96%. Já o subíndice de confiança em relação aos próprios manteve-se praticamente estável.
O inquérito revelou, além disso, que o índice geral de satisfação dos trabalhadores de Macau (3,20) registou uma ligeira descida de 1,84% em relação ao ano passado (3,26), tendo os quatro subíndices que compõem o índice geral de satisfação apresentado variações diferenciadas.
Entre eles, o subíndice relativo à qualidade do trabalho subiu 0,95% e o do desenvolvimento pessoal manteve-se estável. O subíndice relativo à estabilidade do emprego registou uma descida de 5,52% enquanto o das condições de trabalho caiu 3,08%.
A equipa da MUST analisou os motivos que causaram a queda da confiança e da satisfação dos trabalhadores este ano. Em comparação com o ano passado, os três principais factores que registaram o maior impacto na avaliação da confiança foram: a facilidade com que uma pessoa comum consegue encontrar emprego, cuja classificação registou uma queda de 4,55%. Além disso, a população mostra-se pessimista nas perspectivas de emprego para os próximos cinco anos, com uma queda de 4,33%. Por fim, os trabalhadores estão menos esperançosos nas possibilidades de aumento salarial no prazo de um ano, com uma diminuição de confiança de 4,17%.
Quanto às razões pelas quais os trabalhadores estão mais insatisfeitos, a garantia no emprego foi o assunto que provocou a maior queda no índice, com uma quebra de satisfação de 7,08%. Em seguida, as hipóteses de não ficar desempregado no prazo de um ano viram uma quebra de 3,98%. O nível de satisfação baixou ao mesmo tempo 3,43% em relação à remuneração.
No mesmo inquérito, a equipa da MUST acrescentou este ano duas perguntas no questionário sobre a inteligência artificial (IA), cujos resultados revelam que o uso da IA é algo mais comum no trabalho. A percentagem de trabalhadores que utilizam IA no trabalho aumentou de 7,65% no ano passado para 18,54% este ano.
Um total de 19,72% dos entrevistados concordaram que a IA irá substituir, total ou parcialmente, o trabalho que actualmente desempenham nos próximos três anos. Houve, neste caso, uma subida de mais de seis pontos percentuais entre os trabalhadores que manifestaram receio de ser substituídos pela IA no trabalho, face aos 13,62% registados no ano passado.
O inquérito sugere que as empresas e as instituições governamentais devem prestar atenção às oportunidades e aos desafios que a IA traz para os diversos sectores de Macau. “Devem estudar o impacto da IA na estabilidade profissional e no emprego dos trabalhadores, de modo a garantir que a economia de Macau se desenvolva de forma estável e sustentável”, frisou.
https://pontofinal-macau.com/2026/06/10/trabalhadores-em-macau-menos-confiantes-e-satisfeitos/
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