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coloane

 jan26

Dique em Coloane tapa a China e o pôr-do-sol

As obras do paredão concebido para proteger a marginal de Coloane contra inundações avançam a bom ritmo; contudo, as Obras Públicas não esclarecem a altura, o impacto real, e a eficácia a longo prazo. Consequências paisagísticas e ambientais parecem evidentes. Sabe-se apenas que, se seguir o plano original, o muro pode chegar a 3,85m de altura

  Fernando M. Ferreira e Ng Chan Tou

A Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), em resposta escrita a seis perguntas feitas pelo PLATAFORMA, apenas explicou que que se trata de uma das “obras prioritárias no âmbito da prevenção e mitigação de desastres”, concebida para responder a um cenário de maré extrema com um período de retorno de 200 anos, conforme previsto no Plano Decenal de Prevenção e Redução de Desastres da RAEM (2019–2028). O projeto é “executado por fases” e a intervenção, “atualmente em curso, corresponde à construção do dique”. A DSOP indica ainda que os trabalhos decorrem conforme o planeado, com conclusão prevista para o “segundo semestre de 2027”. Em paralelo, estão já a ser desenvolvidos projetos para “sistemas de drenagem da zona costeira”. As “infraestruturas complementares no topo do dique”, servem como percursos paisagísticos, trilhos pedonais e zonas verdes. A DSOP diz ainda que mais informações serão anunciadas “em tempo oportuno”.As obras foram adjudicadas à Nam Kwong União Comercial e Industrial por 566 milhões de patacas

Lógica de prevenção

O arquiteto Nuno Soares considera que o enquadramento técnico do projeto responde a uma vulnerabilidade estrutural incontornável: “O Delta do Rio das Pérolas, onde Macau se situa, é uma zona muito exposta e vulnerável a cheias e ao aumento do nível do mar. Todos os anos temos cheias e, em situações extremas, estas são muito severas, como durante o tufão Hato em 2017”. Concorda por isso que a prevenção de cheias é “uma questão de segurança pública prioritária”; pois, perante a incerteza climática, “há que ser rigoroso e jogar pelo seguro”. Alinha também no critério de planeamento para um período de retorno de 200 anos.

Esta necessidade de proteção é reconhecida também por alguns residentes. Contudo, Chio, morador em Coloane, teme que o impacto imediato das obras “não seja grande”, embora admita que, no futuro, “em situações com tufões ou marés altas possa haver alguma proteção”. Ainda assim, questiona a dimensão da intervenção e a ausência de soluções complementares: “Se é para fazer uma obra tão grande, porque não construir também uma estrada principal para resolver os problemas de trânsito e acessos?”

Muro no horizonte

Se a lógica de segurança reúne algum consenso, o mesmo não acontece quanto à transformação da frente marítima. Do ponto de vista do desenho urbano, Nuno Soares sublinha que o projeto representa “um desafio de engenharia e de desenho urbano”, que exige conciliar a proteção contra cheias com o tecido urbano existente e “uma ligação à água que se pretende próxima e qualificada”.

Segundo o arquiteto, a solução adotada passa pela criação de um espelho de água em frente à Vila de Coloane e aos estaleiros de Lai Chi Vun, delimitado por um corredor paisagístico visitável que funciona como muro de proteção. Contudo, essa opção implica uma alteração profunda da relação funcional com o mar. “Trata-se de um projeto de ‘musealização’ da paisagem costeira”, afirma ao PLATAFORMA, explicando que, embora se mantenha a aparência visual da frente marítima: “A linha de costa, que até aqui chegava à marginal, vai passar para o topo do dique, que se vai tornar o novo local de interface entre a terra e mar, onde os barcos vão passar, onde se vai poder ver a outra margem”.

Essa mudança é já sentida no terreno e gera desconforto. Um comerciante da zona lamenta a perda da paisagem, que atraía visitantes: “Muitas pessoas vinham aqui propositadamente para ver o pôr-do-sol, porque era bastante bonito. Agora há apenas um monte de terra amarela”, diz ao PLATAFORMA. Mesmo admitindo que “o resultado final possa ser visualmente mais cuidado”, considera que a experiência será irreversivelmente “diferente”.

Impacto e eficácia

As reservas não se limitam ao impacto visual. Ng, também comerciante local, critica a descaracterização da paisagem natural: “Ao longo de todos estes anos, aquela era uma paisagem natural. Agora, com um dique e um lago artificial, causa uma grande destruição da paisagem”. Critica ainda a falta de informação técnica disponibilizada à população, nomeadamente sobre os sistemas de descarga, drenagem e filtragem da água. “Muitas decisões implicam compromissos; tudo depende do que se pretende. Se o objetivo for a prevenção de cheias, então esta é, sem dúvida, a opção definitiva. Por outro lado, acabou por sacrificar a paisagem natural” diz.

Outros residentes revelam sentimentos contraditórios. Wong considera que “fazer alguma coisa é melhor do que não fazer nada”; contudo, questiona a eficácia do dique em cenários extremos: “Quando há um tufão, o nível da água é mais alto e entra tudo na mesma”. Ainda assim, admite que o espelho de água possa vir a ter algum aproveitamento turístico.

Esta solução “é tecnicamente viável”, na opinião de Nuno Soares; mas “para ser urbanamente sólida e adequada, é importante dar resposta às necessidades de relação funcional com a água da população local”. Caso contrário, alerta, existe o perigo de a Vila de Coloane “não se tornar apenas num museu a céu aberto”, perdendo o seu carácter de “vila fluvial”

https://www.plataformamedia.com/2026/01/16/dique-em-coloane-tapa-a-china-e-o-por-do-sol/

jan26

Announced more than three years ago, the construction of a flood barrier in the Coloane Village and Lai Chi Vun areas is now clearly underway.

The project is said to include a flood wall and two artificial panoramic lakes to contain excess seawater. One of these lakes will be located in the Lai Chi Vun area, and the other at Avenida de Cinco de Outubro.

During the presentation, the director of the Public Works Bureau (DSOP), Lam Wai Hou, explained that their purpose is to break storm-surge waves earlier, reducing their force when they reach the coast.

Lam also noted that the new lake areas will be beautified and will include leisure facilities, such as walkways and paths similar to those installed in the pond in front of the Taipa Houses Museum, allowing visitors to move around the lake areas.

A tentative rendering of the project was unveiled during a presentation by the Cultural Affairs Bureau (IC) in early 2022, which focused on efforts to revamp the Lai Chi Vun area and turn it into a cultural destination.

According to DSOP, the project will extend from the northern end of Estrada de Lai Chi Vun in Coloane to the area downstream of Tam Kong Temple, encompassing the vicinity of Avenida de Cinco de Outubro, Rua dos Navegantes, and the Lai Chi Vun Shipyards.

The first phase of the project, now visible, includes constructing flood-prevention dikes, water sluice gates, and a temporary hydrographic observation station, among other water-related works.

The main elements of the works include the construction of flood-prevention dikes in the Lai Chi Vun and Avenida de Cinco de Outubro sections, four water sluice gates crossing the dikes, and the removal of silt from the two landscaped lakes at Lai Chi Vun and Cinco de Outubro, as well as the construction of hydrographic stations and environmental protection, monitoring, inspection, and testing facilities.

The government said the flood-prevention project is designed for a 200-year return period, with the corresponding projected tide level averaged at +3.85 meters.

Concurrently, the drainage system is designed for a 50-year return period, and the pumping station for a 20-year return period.

The main works were awarded to Nam Kwong (Group) Company Limited at a price of approximately MOP566 million.

The deadline for completion of the works is 710 working days, placing the expected completion around August 2027. According to the tender award contract, the first phase is expected to be concluded by the end of this year.

https://macaudailytimes.com.mo/barrier-construction-at-coloane-village-finally-picks-up-pace.html



Construção de sistemas de drenagem preocupa moradores de Coloane

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As obras de construção de diques em Coloane, como meio de prevenção contra inundações, estão a gerar alguma preocupação nos moradores perto da Ponte-cais de Coloane, receando que o projecto possa obstruir as vistas marítimas existentes e afectar a paisagem costeira. Para o presidente da Associação de Beneficência dos Son I, a construção actual está “mais próxima da costa do que o previsto”

 

VÍTOR REBELO

 

Os residentes da área onde estão a ser realizadas, nas imediações da Ponte-cais de Coloane, empreitadas de construção de equipamentos de prevenção contra inundações e reordenamento dos sistemas de drenagem de água nos diques e no canal de Shizimen, mostram-se preocupados que o projecto possa obstruir as vistas marítimas e afectar a paisagem costeira.

O alerta é dado pela Associação de Beneficência dos Son I de Coloane, cujo presidente refere que a construção actual está mais próxima da costa do que o previsto, “o que afecta de facto a paisagem”. Nesse sentido, Yeong Keng Hoi tenciona entrar em contacto com as autoridades competentes num futuro próximo, no sentido de discutir e transmitir estas preocupações.

Citado pelo Jornal do Cidadão, o dirigente associativo refere que o plano inicial propunha elevar os diques existentes para melhorar a resiliência às inundações, mas isso “foi rejeitado devido ao seu grave impacto na paisagem costeira”.

Acrescenta que, “após extensas discussões”, a actual “proposta de dois lagos” foi finalmente adoptada. “Isto envolve a construção de novos diques que procuram equilibrar as necessidades de controlo de inundações com a preservação da paisagem”, assinala, adiantando que “esta abordagem optimizada obteve o reconhecimento preliminar de várias partes interessadas”.

No entanto, “à medida que o projecto entra na sua fase preliminar e a construção inicial toma forma, surgiram novas preocupações”, alerta o presidente da Associação de Beneficência dos Son I, para quem existem discrepâncias entre o local de construção actual e as representações do projecto, com a localização real “mais próxima da costa do que o previsto”.

Yeong Keng Hoi considera que se o dique for construído na posição em que se encontra actualmente, áreas como a Avenida de Cinco de Outubro “perder-se-á a vista para o mar, afectando significativamente a paisagem costeira original”. Por outro lado, reconhece que o dique será aberto aos peões após a sua conclusão, oferecendo “potencialmente vistas diferentes”.

O mesmo responsável adiantou que irá apresentar sugestões à Direcção dos Serviços de Obras Públicas sobre a melhoria da paisagem, tais como a incorporação de instalações recreativas e de fitness na área do dique. O objectivo é, nota, “criar uma nova paisagem que combine funções práticas de defesa contra inundações e tufões com apelo estético”.

Além disso, o líder associativo manifestou a esperança de que as partes interessadas considerem as opiniões do público durante a implementação, “optimizando meticulosamente o design paisagístico e, ao mesmo tempo, garantindo as defesas contra inundações e tufões, alcançando assim os objectivos duplos da “proposta dos Dois Lagos”.

A mesma publicação ouviu ainda o proprietário de um café da zona, que manifestou apoio ao projecto em geral de prevenção de inundações, considerando ser “vital para a subsistência das comunidades ribeirinhas”, e sustentando que, em relação ao aspecto paisagístico, é prematuro julgar antes da conclusão. O proprietário do café, de apelido Cheong, observou ainda que o dique “poderia oferecer novas vistas panorâmicas, uma vez acessível a peões e ciclistas”.

https://jtm.com.mo/local/construcao-de-sistemas-de-drenagem-preocupa-moradores-de-coloane/

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