"dar resposta ao “problema do desenvolvimento desequilibrado da economia”

 ag25

Macau encerra o primeiro semestre de 2025 com um duplo recorde que nenhum Governo gosta de exibir: o número mais baixo de novas empresas desde 2016 e o número mais alto de dissoluções na última década (ver páginas 8 a 9). É por demais evidente hoje que continuamos a ter setores inteiros presos à recuperação desigual da economia, onde o turismo e o Jogo correm à frente e tudo o resto fica para trás.

O retalho é o exemplo mais gritante — vítima da fraca confiança dos consumidores, do consumo crescente fora de Macau e online, e da concorrência feroz das regiões vizinhas. A aposta quase exclusiva no turismo e no Jogo deixou-nos expostos a choques externos que não controlamos: quando a despesa média por visitante cai, o rendimento local diminui e a procura interna retrai-se.

Ainda antes de ser eleito como Chefe do Executivo, Sam Hou Fai prometeu um plano de recuperação para os setores e zonas da cidade mais afetados. Mas até agora não há nada para mostrar. Dentro de poucos meses, fará um ano de mandato. Será que teremos novidades? Ou os sinais dados pela economia local ainda não são suficientemente alarmantes para que o tema seja prioridade?

Se o Governo quer exercer a tão falada “mão visível” no mercado, não pode simplesmente focar-se no futuro e deixar a grande maioria das empresas à mercê de uma morte lenta. A purga dos mais fracos, em Macau, significa perder uma parte substancial da mão de obra — uma mão de obra que dificilmente será absorvida pelos casinos ou pela Administração Pública, cujas vagas são limitadas, e que não tem, em larga medida, qualificação para as indústrias emergentes. O presente não pode ficar entregue ao abandono, só porque se promete um futuro.

* Diretor Executivo do PLATAFORMA

https://www.plataformamedia.com/2025/08/15/voos-mais-altos/

No primeiro semestre de 2025, Macau registou 469 empresas dissolvidas — o valor mais alto da década — e apenas 2020 novas sociedades, o número mais baixo desde 2016. Para o economista Henry Lei, “os setores não relacionados com o turismo, em especial o retalho, continuam a enfrentar uma situação crítica, uma vez que a confiança dos consumidores permanece fraca”

https://www.plataformamedia.com/2025/08/15/desconfianca-trava-criacao-de-empresas-e-aumenta-falencias/

mar25

As perspectivas económicas globais de Macau “permanecem estáveis”, contudo, o desempenho de diversos indicadores “continua a ser inconsistente”, apontou a Associação Económica de Macau no último relatório sobre as tendências no território. Em concreto, prevê que, entre Março e Maio, o índice das perspectivas da economia local se mantenha entre 6,4 e 6,6 pontos.

A associação acredita que “o desempenho económico no primeiro trimestre poderá ser ligeiramente mais fraco do que o previsto” e alerta que é “necessário analisar cuidadosamente as tendências futuras”.

Desde logo, a actual conjuntura externa de Macau “é bastante complicada e severa, enfrentando ainda muitas incertezas” – além das tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos, contam-se o abrandamento do crescimento económico da China e o enfraquecimento do renminbi, factores em relação aos quais Macau, “como pequena economia, dificilmente pode manter-se isolada”. Além disso, a abertura de casinos em regiões vizinhas “trouxe também alguma concorrência” à RAEM, observa.

De acordo com as estimativas preliminares, as receitas brutas do jogo nos primeiros nove dias de Março foram de aproximadamente 5,75 mil milhões de patacas, com uma média diária de 639 milhões. Citando previsões recentes sobre as receitas dos casinos neste mês, que poderão situar-se entre 19 mil milhões e 20 milhões de patacas, a associação frisa que, a acontecer, os resultados do jogo no primeiro trimestre “não poderão atingir o objectivo de receitas orçamentais” anunciadas pelo Governo no final do ano passado, de uma média mensal de 20 mil milhões.

Por outro lado, “os hábitos de consumo e os padrões dos turistas do Continente também se alteraram, tendo o seu poder de compra diminuído, especialmente a procura de bens de luxo e de marcas de topo de gama”. Nesse sentido, a associação refere que “o sector retalhista local enfrenta desafios sem precedentes e muitos comerciantes lamentaram a dificuldade em fazer negócios”. Por essa razão, “poderão ter de ser prudentes na sua avaliação das perspectivas económicas futuras”.

Numa análise aos primeiros meses do ano, a Associação Económica indica que a confiança dos investidores e dos consumidores “permanece baixa devido à incerteza económica”. Embora o número de visitantes e a taxa de ocupação hoteleira se encontrem num bom nível, “o poder de compra per capita diminuiu”. Para ilustrar o cenário, recorda que as vendas anuais a retalho no ano passado caíram 14,9% em relação ao ano anterior.

A par disso, “devido a uma série de factores internos e externos complexos, a procura interna de empréstimos foi fraca”, com a associação a dizer que o rácio entre empréstimos e depósitos dos bancos locais continuou a cair para 78,5% e o rácio de crédito malparado aumentou para 5,68%, “reflectindo os desafios enfrentados pelo sector bancário”.

Recorde-se de que os empréstimos em dívida não pagos pelas pequenas e médias empresas cifraram-se em 4,87 mil milhões de patacas no final de 2024, assinalando um aumento de 67% ou 1,95 mil milhões no intervalo de um ano. Completaram, assim, um ciclo de dois anos de subidas consecutivas. Como noticiou já este jornal, os dados oficiais mostram que as dívidas por liquidar cresceram 29,4 vezes, ou 4,70 mil milhões de patacas, em relação ao final de 2019.

Os últimos dados oficiais indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) da RAEM aumentou 8,8% em 2024, em termos anuais e reais, ficando aquém das projecções do Governo e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Calculado a preços correntes, o valor do PIB cifrou-se em 403,3 mil milhões de patacas no ano transacto, correspondendo a 86,4% do volume de 2019, ou seja, antes da pandemia, segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos.

Nos últimos três meses do ano passado, o crescimento homólogo atingiu apenas 3,4%, reflectindo a quinta desaceleração trimestral consecutiva.

Em Outubro, o FMI estimou que a economia de Macau poderá crescer 7,3% em 2025, revendo assim em baixa a anterior projecção, que apontava para um aumento de 9,6%. Por outro lado, a previsão sobre a subida em 2029 manteve-se nos 3,0%.

https://jtm.com.mo/local/economia-estavel-mas-envolta-em-incertezas/

mar25

Sam Hou Fai esteve ontem presente numa sessão de transmissão do espírito das “Duas Sessões” – as reuniões da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), que se realizaram recentemente em Pequim. Na ocasião, o Chefe do Executivo prometeu transformar as orientações das autoridades centrais em “acções concretas”, mas avisou que há problemas económicos que persistem e afirmou mesmo que “as receitas financeiras do ano em curso podem não ser tão elevadas como se esperava”.

https://pontofinal-macau.com/2025/03/14/chefe-do-executivo-promete-accao-mas-alerta-para-problemas-estruturais-da-economia/

Mar25

Macau’s economy is expected to remain stable between March and May, but the influence of various external factors is likely to make some indicators more volatile in the future, the Macau Economic Association indicated.

The association’s analysis also highlights concerns about the performance of the gaming sector. According to public broadcaster TDM, the think tank acknowledges that gross gaming revenue in the first quarter may fall short of the government’s fiscal revenue targets.

Although visitor numbers and hotel occupancy rates remain relatively high, consumer spending is showing signs of weakening, with retail sales falling by nearly 15 per cent last year.

With Chinese purchasing power in decline, local businesses are facing unprecedented challenges, the report states.

The association further notes that Macau’s economy is unlikely to remain immune to US-imposed trade tariffs and the slowdown of China’s economy.

The emergence of new gaming jurisdictions in Asia, which could pose increased competition to Macau, is also cited as a factor of uncertainty.

https://www.macaubusiness.com/sar-economy-stable-but-clouds-on-the-horizon-think-tank/

Mar25

 Na ocasião, o Chefe do Executivo lembrou que “o desenvolvimento económico global enfrenta muitos factores de instabilidade e incerteza”, e que, além disso, “o ambiente interno e externo do desenvolvimento de Macau vai continuar a sofrer mudanças profundas e complexas”. O líder do Governo sublinhou que há mudanças no modelo de consumo, o que também traz “novos desafios”.

O Chefe afirmou que o Governo “tem de enfrentar e lidar adequadamente com o problema do desenvolvimento desequilibrado da economia interna de Macau” e deve “promover a diversificação industrial e ajudar o desenvolvimento sustentável das PME, bem como desenvolver, da melhor forma, a exploração de Hengqin sob a cooperação entre Guangdong e Macau”.

Sam Hou Fai também disse ser necessário “promover a transformação de alta qualidade dos resultados de pesquisa científica dos estabelecimentos de ensino superior e injectar, constantemente, dinâmica no desenvolvimento sustentável da economia de Macau, através da integração profunda da indústria-universidade-investigação, para além de impulsionar continuamente a economia cultural e turística e aperfeiçoar o ambiente de negócios das PME e criar mais oportunidades de emprego para a população de Macau”.

https://pontofinal-macau.com/2025/03/05/sam-hou-fai-promete-dar-resposta-ao-problema-do-desenvolvimento-desequilibrado-da-economia/

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