100 dias
mar25
Ontem foi o dia em que o Governo liderado por Sam Hou Fai atingiu os 100 dias. Cem dias em que, segundo os analistas ouvidos pelo PONTO FINAL, Sam tentou reforçar a capacidade de governação e apostou as fichas todas na relação com o Continente.
Nesta primeira centena de dias, Sam Hou Fai já foi ao interior da China por quatro vezes – Grande Baía, Pequim, Hainão e Harbin. Por outro lado, tem-se multiplicado em sessões para a “transmissão do espírito das Duas Sessões” e do “espírito dos importantes discursos do Presidente Xi Jinping” aquando da sua visita a Macau, precisamente para a tomada de posse do novo Governo.
“Sam Hou Fai tem-se esforçado muito por visitar as cidades da Grande Baía para melhorar a cooperação regional – um esforço que nunca tinha sido visto nos anteriores Chefes do Executivo”, começa por afirmar Meng U Ieong, professor assistente do Departamento de Governo e Administração Pública da Universidade de Macau (UM). O académico assinala que, mesmo antes da eleição, já se adivinhava que Sam estaria muito mais voltado para as autoridades do interior: “O próprio expressou-o de forma muito clara quando se candidatou às eleições”.
Sonny Lo diz que há “diferenças notáveis” entre Sam Hou Fai e Ho Iat Seng. Uma delas tem a ver precisamente com essa vontade de estabelecer mais laços não só com o Continente, mas também com Portugal e com os países de língua portuguesa. Para o autor e professor de Ciência Política em Hong Kong, Sam Hou Fai tem estado “em sintonia com os desejos do Governo Central”.
Ng Kuok Cheong, ex-deputado à Assembleia Legislativa durante três décadas e cuja candidatura foi desqualificada pelas autoridades nas eleições de 2021, concorda e diz que Sam Hou Fai se tem dedicado “a demonstrar que compreende e cumpre activamente as expectativas políticas do Governo Central”.
Um outro aspecto destacado por Sonny Lo tem a ver com a criação dos grupos de liderança da reforma da administração pública e de liderança para a promoção da construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. Para o professor universitário, “o Chefe do Executivo tem feito um bom trabalho ao satisfazer o desejo do Governo Central para que Macau reforçasse a sua capacidade de governação e a ‘comunicação interna e as ligações externas'”.
Há também a ideia de que este Governo de Sam Hou Fai é mais opaco do que o de Ho Iat Seng. A Associação de Sinergia de Macau, por exemplo, criticou a forma “unidireccional” da comunicação do Governo, normalmente apenas através de comunicados de imprensa. Nos primeiros 100 dias, Sam Hou Fai apenas por uma ocasião aceitou responder a perguntas à margem de um evento oficial.
Contudo, Meng U Ieong diz que Ho Iat Seng não era melhor a comunicar. Ainda assim, o estilo de Sam “é muito semelhante ao da China continental, e é assim que se processa a relação entre o Governo e os meios de comunicação social”.
Ng Kuok Cheong descreve a estratégia de comunicação deste Governo como uma “gestão bem sucedida da informação em prol de uma boa governação”. O Chefe tem emitido comunicados de imprensa “indicando que está constantemente a reunir-se com grupos de confiança para auscultar opiniões ao mesmo tempo que se abstém de revelar antecipadamente as suas decisões políticas para evitar que isso seja usado como pretexto para controvérsia”, comenta o antigo deputado. Segundo Ng, “esta é provavelmente a forma mais adequada e segura de lidar com os casos: não tomar uma posição, apenas recolher os pontos de vista e as informações, e emitir a sua opinião apenas quando for legalmente obrigado a fazê-lo”.
Sonny Lo comenta que “é demasiado cedo para os críticos avaliarem Sam; é necessário algum tempo, pelo menos dois anos, para avaliar o seu desempenho de forma abrangente e justa”. “Uma avaliação precoce pode ser injusta e imatura”, diz.
Sam Hou Fai deverá apresentar as Linhas de Acção Governativa (LAG) em breve. Qual será a tónica? Meng U Ieong acredita que Sam será “coerente com a sua plataforma política do ano passado”, levando avante as políticas de bem-estar social, como o plano de comparticipação pecuniária, ainda que essas medidas possam ser ajustadas mais tarde.
Sonny Lo aventa que o Chefe do Executivo vai centrar-se em questões relacionadas com os meios de subsistência da população e na “integração mais rápida e profunda” com Hengqin. Por outro lado, também deverá promover medidas para estimular a economia das pequenas e médias empresas, indica o académico de Hong Kong.
Por sua vez, Ng Kuok Cheong diz esperar que estas LAG tenham como foco a política de habitação e de emprego. “A dificuldade em encontrar emprego tornou-se uma pressão importante que mina as aspirações profissionais dos jovens de Macau”, lamenta
https://pontofinal-macau.com/2025/03/31/cem-dias-de-sam-reforco-da-governacao-sintonia-com-o-continente-e-gestao-da-comunicacao/
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